Quando penso no amor que idolatro
vem a dúvida do que é a idolatria,
se te adoro como um simulacro,
se te odeio quanto mais se distancia...

É coragem por à prova o contrato
ou tem força a evolução da covardia,
se te amar descubro hoje ser um fato,
se amanhã o mesmo fato assim seria...


Os velhos versos
nada de novo,
a mesma casca
do mesmo ovo...

As vacas magras
que ainda pastam,
onde os milagres?
nem eles bastam...

Os mesmos muros
fronteiras nuas,
as mesmas dores
as mesmas ruas...

Deitado no campo de papoulas

O cavaleiro entrega sua cabeça
que trêmulas mãos de castelã abarcam

há silêncio

o tempo julga e decreta

o coração espera novas freguesias
para o comércio de outra miséria itinerante

o grande Mistério é a adoração
pela ciência da primogênita Virtude...

Deste quintal de putas velhas erguem-se
muralhas farpadas por pseudodiamantes
e trepadeiras sem flores...

eu sou

A janela escancarada me entornou
na boca do espectro que me habita...