Acendo um cigarrinho,
triste trágico transporte
longe e sozinho e sozinho
degusto as virilhas da Morte...

Mas quem sabe dos olhos a luz
que acende e apaga nos meus
não seja a poeira de estrelas
sutil cocaína de Deus?

Eu não te acredito por crer
tão pouco que existe a bondade,
das vezes que te pude reconhecer
tu estavas em total banalidade...

Mas quem sabe dos amores totais
que nunca existem e nem existirão
surja um debochado Satanás
com uma flor de cerejeira na mão?








Hoje

Eu sou teu inimigo
mais antigo
desde quando vim nascer...

Eu sou a estranha cobra
que se desdobra
e canta no entardecer...

Quem é que me conhece,
quem me esquece
o corpo e o destino torto?

 Pra quem ainda estou vivo
e muito vivo,
pra quem estarei morto?