2.1.26

Stims XXI

Que saudade de morrer — a noite desce, 
por que nada que dói a gente esquece? 
Ah, que apoteose seria, que porcaria
gofar meu sangue em versos de alegria!

Que amargor me amarra a boca agora 
rezando baixo pela última hora, 
que ladainha sem fim, que rebordosa —
a vida é bela — eu sei — e mentirosa...

Anemocoria

Os Ventos te levaram pelas horas,
tão leve e displicente – verso e prosa,
tão crível quanto o riso das senhoras,
tão lúdica, perene e luminosa...

Os Ventos te levaram, mas demoras
tão longe, tão dispersa e deslumbrosa,
vermelha como o gosto das amoras,
vibrante como a pétala da rosa...

Os Ventos te trouxeram — Direção...
mas eu, que só andava à contramão,
que nunca te encontrei pelo caminho...

Os Ventos te trouxeram — Coração
pulsando um novo tempo e devoção,
nas juras de Amor e de Carinho...