Eu guardo um coração calcificado
nas chamas da fogueira Solidão,
protejo o meu segredo sufocado,
não tenho nem mais fé, nem mais razão...
Pois este coração que me foi dado
só quer me obedecer na condição
que eu peque todo tipo de pecado,
que eu ceda aos descaminhos da Razão...
Mas não! Não quero mais essa carência
da Solidão e da Dor, desses momentos
tão longe de qualquer clara evidência!
Mas sejam nossos simples sentimentos
estrelas explodindo Consciência
na eterna dispersão dos Desatentos...
3.2.26
30.1.26
Stims XXIII
E fui me tresloucando, pirando,
no giro pivoteando e quando
me vi tão viva a velha demanda
daquilo que me doma e desanda...
E fui desfalecendo, fui sendo
assim meio morrendo e querendo
mentir, por que mentindo e fugindo
eu penso ser mais lindo e me findo...
16.1.26
Stims XXII
Caixas. Amo caixas. Vida de caixas.
Encaixotamento visceral!
Caixa Econômica. Subtexto. Caixificação.
Profissão encaixotadora...
Poema caixa. Dentro da caixinha.
Poesia em caixa alta, poesia caixoquadrada.
Poesia encaixo. Caixa aberto/fechado.
Poesia debaixo do chão — poesia caixão!
2.1.26
Stims XXI
Que saudade de morrer — a noite desce,
por que nada que dói a gente esquece?
Ah, que apoteose seria, que porcaria
gofar meu sangue em versos de alegria!
Que amargor me amarra a boca agora
rezando baixo pela última hora,
que ladainha sem fim, que rebordosa —
a vida é bela — eu sei — e mentirosa...
por que nada que dói a gente esquece?
Ah, que apoteose seria, que porcaria
gofar meu sangue em versos de alegria!
Que amargor me amarra a boca agora
rezando baixo pela última hora,
que ladainha sem fim, que rebordosa —
a vida é bela — eu sei — e mentirosa...
Anemocoria
Os Ventos te levaram pelas horas,
tão leve e displicente – verso e prosa,
tão crível quanto o riso das senhoras,
tão lúdica, perene e luminosa...
Os Ventos te levaram, mas demoras
tão longe, tão dispersa e deslumbrosa,
vermelha como o gosto das amoras,
vibrante como a pétala da rosa...
Os Ventos te trouxeram — Direção...
mas eu, que só andava à contramão,
que nunca te encontrei pelo caminho...
Os Ventos te trouxeram — Coração
pulsando um novo tempo e devoção,
nas juras de Amor e de Carinho...
tão leve e displicente – verso e prosa,
tão crível quanto o riso das senhoras,
tão lúdica, perene e luminosa...
Os Ventos te levaram, mas demoras
tão longe, tão dispersa e deslumbrosa,
vermelha como o gosto das amoras,
vibrante como a pétala da rosa...
Os Ventos te trouxeram — Direção...
mas eu, que só andava à contramão,
que nunca te encontrei pelo caminho...
Os Ventos te trouxeram — Coração
pulsando um novo tempo e devoção,
nas juras de Amor e de Carinho...
Assinar:
Comentários (Atom)