30.1.26

Stims XXIII

E fui me tresloucando, pirando, 
no giro pivoteando e quando 
me vi tão viva a velha demanda
daquilo que me doma e desanda...
 

E fui desfalecendo, fui sendo 
assim meio morrendo e querendo
mentir, por que mentindo e fugindo 
eu penso ser mais lindo e me findo...

16.1.26

Stims XXII


Caixas. Amo caixas. Vida de caixas.
Encaixotamento visceral! 
Caixa Econômica. Subtexto. Caixificação. 
Profissão encaixotadora... 

Poema caixa. Dentro da caixinha. 
Poesia em caixa alta, poesia caixoquadrada. 
Poesia encaixo. Caixa aberto/fechado.
Poesia debaixo do chão — poesia caixão! 

2.1.26

Stims XXI

Que saudade de morrer — a noite desce, 
por que nada que dói a gente esquece? 
Ah, que apoteose seria, que porcaria
gofar meu sangue em versos de alegria!

Que amargor me amarra a boca agora 
rezando baixo pela última hora, 
que ladainha sem fim, que rebordosa —
a vida é bela — eu sei — e mentirosa...

Anemocoria

Os Ventos te levaram pelas horas,
tão leve e displicente – verso e prosa,
tão crível quanto o riso das senhoras,
tão lúdica, perene e luminosa...

Os Ventos te levaram, mas demoras
tão longe, tão dispersa e deslumbrosa,
vermelha como o gosto das amoras,
vibrante como a pétala da rosa...

Os Ventos te trouxeram — Direção...
mas eu, que só andava à contramão,
que nunca te encontrei pelo caminho...

Os Ventos te trouxeram — Coração
pulsando um novo tempo e devoção,
nas juras de Amor e de Carinho...