Quem do pecado nunca foi culpado
não pode, enfim, aqui nos perceber.
Nós somos monges sob o sol pintado
num mal vitral que ninguém pode ver.
Nós somos monges - magros, esquisitos
que ninguém nota a palidez castanha
dos nossos olhos ternos, mas aflitos
num mal vitral duma capela estranha.
Que ninguém nota o nosso canto aguado
e o dedilhado atravessado insiste,
nós somos cegos sob o sol dourado
no transe eterno, só ele nos assiste
do dolorido ao desacreditado,
do envelhecido, espedaçado, triste...
Nenhum comentário:
Postar um comentário